O deputado estadual Eduardo Siqueira Campos (DEM) e o pai dele, o ex-governador José Wilson Siqueira Campos (sem partido) são citados nas delações de executivos da Odebrecht que deram origem à “lista de Fachin”. Segundo dois delatores, a empreiteira fez pagamentos ao deputado para as campanhas políticas de 2012 e 2014. Conforme os relatos, os pedidos de contribuições eram feitos usando o “prestígio do seu pai”, Siqueira Campos. Os valores supostamente recebidos pelos políticos não foram divulgados.

Em nota, o deputado Eduardo reafirmou que ainda desconhece o teor das declarações dos executivos da Odebrecht. Disse ainda que Siqueira não foi candidato em 2012 e 2014 e que as declarações de executivos não são verdadeiras. Declarou ainda que jamais pediu qualquer doação de campanha para o pai ou em nome dele. “A declaração é indigna! Reafirmo, apesar de não ter visto a delação, ela já parte de uma inverdade e só farei qualquer comentário depois de tomar conhecimento do inteiro teor das mesmas”.

Os nomes deles aparecem em um dos 201 pedidos de inquérito enviados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a instâncias inferiores. Neste caso, a petição que cita os políticos do Tocantins, foi enviada para o Tribunal Regional Federal, da 1ª região, onde as suspeitas serão apuradas.

O suposto repasse é citado nas delações de Mario Amaro da Silveira e Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis.

Mario narra que a empreiteira fez pagamentos a Eduardo em 2012. O político do Tocantins teria pedido as contribuições para beneficiar candidatos ligados ao seu grupo político, usando o nome do pai.

O mesmo delator diz também que foram feitas outras contribuições no ano de 2014. Novamente, o dinheiro foi pedido pelo deputado, a pretexto da campanha eleitoral de pessoas do partido e da própria pré-candidatura dele à Assembleia Legislativa. Naquele ano, Eduardo se elegeu e foi o deputado mais bem votado.

 Ainda segundo o delator, no momento em que Eduardo fez o pedido em 2014, mencionou que tinha conhecimento da dívida do Estado com a Odebrecht Saneatins e da possível instauração de uma CPI na Assembleia Legislativa para investigar os contratos da empresa.

‘Lista de Fachin’

Ao todo, 201 pedidos de inquérito foram remetidos a instâncias inferiores da Justiça Federal em todo o país. Relator da Lava Jato no Supremo, o ministro Edson Fachin também determinou a abertura de 76 inquéritos contra políticos e autoridades com base nas delações de ex-executivos da Odebrecht, informou a assessoria do STF.

O ministro enviou de volta à Procuradoria Geral da República (PGR) outros 11 pedidos de investigação para nova análise. Outros 25 pedidos foram mantidos sob sigilo, por risco de atrapalhar as investigações. Foram arquivados 7 casos envolvendo autoridades, a pedido da PGR, por falta de indícios da ocorrência de crimes.