A mecânica de motocicletas, Kinara Queiroz Monteiro Oliveira, ao se inscrever para a capacitação oferecida pelo projeto Jeito de Mulher, enfrentou seu primeiro desafio dentro da própria casa. O esposo não acreditou que ela fosse capaz, “Quem vai ter coragem de entregar sua moto para uma mulher fazer revisão?”, indagava incrédulo.

Foi na sala de espera do Sistema Nacional de Empregos (Sine) em Palmas, acompanhando o esposo na busca por uma vaga de emprego, que Kinara viu o cartaz de divulgação do curso de Mecânica de Manutenção de Motocicletas, ofertado pelo projeto Jeito de Mulher. “Nunca tinha passado pela minha cabeça trabalhar com motos, mas precisava expandir meus horizontes. Fiquei empolgada na hora; já meu esposo não gostou da idéia”, disse ela. No entanto, como naquele dia seu perfil profissional não se encaixou em nenhuma vaga de emprego disponível, ele aceitou a contragosto que a esposa se inscrevesse no curso.

Quando as aulas começaram o esposo fez questão de acompanhar de perto e na primeira visita, quando adentrou a sala de aula, ficou bastante impressionado com os equipamentos e ferramentas disponíveis para a capacitação. “Foi somente quando viu o teor das aulas, a qualidade da capacitação, e as mulheres desmontando e montando as motocicletas, que ele passou a acreditar que podíamos dar conta do recado”, diz Kinara, que acredita dessa forma ter dado uma boa resposta à reação machista do esposo. “Hoje ele é um entusiasta da minha nova profissão, e garante que deixaria uma mulher revisar sua motocicleta”, complementa.

“Antes todos os frentistas dos postos de combustíveis eram homens, agora não mais; temos muitas mulheres trabalhando nessa área e ninguém se surpreende mais com isso. Gosto de ser precursora nesse processo, e espero que o mercado de motocicletas logo nos aceite como trabalhadoras e não só por sermos mulheres”, afirma Kinara, que também é artesã, lida com pinturas e artesanatos em telhas, entre outros, e pretende expandir ainda mais seu currículo; atualmente ela participa do curso Relações Interpessoais no Trabalho, por meio do Sine; e está pronta para ir a Campinas, no Estado de São Paulo, participar do curso de Coordenadora e Monitora de Comunidades Terapêuticas, por iniciativa própria.

Kinara afirma ter confiança na qualidade da capacitação e na expansão do mercado de motocicletas que a partir de agora, segundo ela, “deixa de ser um mercado masculino para ter um novo jeito, um Jeito de Mulher”.